Corneta do RW

A resistência contra a IVI presente na Europa

Editor-chefe e corneteiros resistentes em missões individuais e simultâneas no Velho Continente

A luta de resistência contra a IVI, bem como contra a ditadura do futebol texano não tem refresco. O que resta é unir o útil ao agradável, sempre que possível.

O editor-chefe do blog, CZ, o correspondente de Ibirubá (por enquanto, segundo o próprio), e o corneteiro JJM de Criciúma estão neste momento encerrando excursões simultâneas por um roteiro que incluiu Portugal, Itália, Suíça, Alemanha e Bélgica.

local da homenagem às vítimas do Torino e bandeira da Chapecoense

Zanatta manda dizer à redação que “seguindo o exemplo do nosso Mestre RW, também buscamos o velho continente numa alternativa ao inevitável exílio futebolístico“. Da Itália, onde visitou o local da tragédia e prestou homenagem às vítimas do avião que transportava a equipe do Torino, em 1949, o colaborador do blog conta que um dos seus anfitriões nativos afirmou que “começamos a decadência pelo fim do limite de estrangeiros nos clubes… descuidamos da base e dos jovens locais!!!“, o que o fez lembrar da IVI e sua demolição de jovens da base na primeira falha cometida, enquanto esbanja babação e tolerância com muitos veteranos que “hablan” e não jogam nada.

marca alemã de 1753 (imagem: RW)

Mas, como dizíamos, é preciso equilibrar a luta com o repouso entre contendas, assim, enquanto os corneteiros no Brasil seguem impressionados com a IVI sendo notícia da própria IVI, no caso do “corte” de Zé “Ataque de Nervos” Andrade da “seleção” do bunker da IVI pra Copa, RW e JMM competem amistosamente trocando mensagens e imagens que apontam as cervejas mais saborosas e as cervejarias mais antigas da Alemanha e Bélgica,

cerveja belga de 1704 (imagem: JJM)

O bunker da IVI mergulha no ‘infotenimento’

Infotenimento é a junção de informação e entretenimento, em que conteúdos jornalísticos, educativos ou factuais são apresentados com recursos típicos do entretenimento — humor, contação de histórias, drama, cortes rápidos, trilhas sonoras, memes e estética visual.

Essa estratégia surgiu da chamada economia da atenção, já que conteúdos puramente informativos competem com Netflix, games e redes sociais e, por isso, para serem consumidos, precisam entreter. O famigerado algoritmo das plataformas também favorece vídeos que prendem a atenção por mais segundos, e o entretenimento cumpre esse papel.

os galáticos da IVI que vão para a Copa caem na dancinha pro Instagram e TikTok

Justificado por alguns como uma forma de democratização do conhecimento pela ampliação do alcance de temas importantes é indiscutível que o infotenimento fica na superficialidade e nas pegadinhas ao caçar cliques, apela para o sensacionalismo e, muitas vezes, confunde opinião com fato. Além disso, usa um humor que frequentemente esconde vieses, como, no futebol, para favorecer um clube e prejudicar outros na base da zoação.

O jornalismo esportivo é uma das áreas em que mais em mais viceja o infotenimento, pois o esporte, em especial o futebol, já carrega drama, emoção e narrativa de heróis e vilões. O jornalismo ficou limitado a apenas a providenciar a embalagem disso em formatos híbridos.

o editor-chefe do blog foi à Suiça buscar inspiração para entender a IVI em tempos de dancinhas e tretas para as redes

Programas como Globo Esporte ou Bem, Amigos! misturam análise tática com humor e emoção, enquanto canais como Desimpedidos e outros puxam mais para a zoeira, mas ainda entregam alguma informação como dados de competições e entrevistas.

Essa (con)fusão entre dados e entretenimento se manifesta em debates cheios de piadas, muitas delas infames, quadros interativos e memes, transformando a notícia em show de humor (às vezes de mal humor) e forçando a barra das “tretas” entre participantes, que geram cortes para as redes.

O precursor desse estilo na TV brasileira foi Thiago Leifert, que introduziu no Globo Esporte uma linguagem descontraída, bordões e referências à cultura pop, abrindo caminho para que o jornalismo esportivo se tornasse também entretenimento, a ponto de ter se criado um substantivo para o fenômeno midiático: a thiagoleifertização da mídia dedicada ao futebol

Em parte, no quadro descrito até aqui se encontram algumas das razões que, segundo comentários que circulam pelas redes, explicariam o corte de Zé Alberto “Ataque de Nervos” Andrade do selecionado do bunker da IVI que cobrirá a Copa do Mundo deste ano, que provocou comoção entre velhos companheiros de trabalho e ouvintes cativos dos programas da rádio do bunker.

O infotenimento está para os “cronistas esportivos” formados na segunda metade do século passado, como o grande meteoro esteve para os dinossauros, quando, há quase 70 milhões de anos, caiu perto de algumas sedes da Copa do Mundo de 2026: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.

RW na Confederação Helvética em busca da solução de um grande mistério da IVI

O editor-chefe do blog segue suas pesquisas transatlânticas, nesta segunda semana, no país dos relógios, chocolates, canivetes, queijos e do “verrou” no futebol, o ferrolho suíço.

RW desceu das montanhas e está em busca da solução de um dos grandes mistérios da IVI desses dez anos mais recentes: de onde é que Rodrigo “TAS” Oliveira, o Zé Alberto Andrade da nova geração, um dos mais destacados “camisas vermelhas” do bunker da IVI, tirou a ideia de que o caso Vitor Ramos seria decidido em favor do clube vizinho ao Parque Marinha do Brasil e viaduto Abdias Nascimento, vulgo Mazembe?

Acompanhado da presidenta do blog, RW está em Berna, distante 106 km de Lausanne – algo como Porto Alegre-Osório (celeiro de ases da IVI) – onde fica o TAS-CAS, mergulhado nos arquivos pessoais de ninguém mais ninguém menos do que Albert Einstein.

RW examina H2O sólido nos Alpes Suiços
Casa de Einstein em Berna

Não há conclusão até o momento dos estudos sobre a teoria usada por Rodrigo TAS Oliveira para sustentar seu prognóstico no caso Vítor Ramos, julgado em 2017 pelo Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne, para onde foi destacado no início das suas viagens internacionais (atenção ao duplo sentido proposital) pelo bunker da IVI.

Rodrigo Oliveira na sede do TAS-CAS

Nem Einstein com suas relatividades explica…

É provável que RW seja obrigado a voltar a Zurique para visitar a casa de Jung, discípulo e mais tarde crítico de Freud, que dizem que explica…

Jung na sua casa à beira do Lago de Zurique

A História do gigante Bayern e a…IVI!

RW e Der Kaiser
Acima: ala do museu do Bayern dedicada aos gigantes Beckenbauer, Miller e Maier; embaixo à esquerda: troféus internacionais da grande década dos bávaros; embaixo à direita: vista interna da Allianz Arena. Fotos: RW

O editor-chefe RW enviou hoje atualização da jornada europeia do blog. Durante visita à Allianz Arena, que substituiu o histórico Olympiastadion, em Munique, ele não pode deixar de relembrar a tentativa de criação de um mito, mais um entre tantos, por três dos grandes próceres da IVI:

RW com Gerd Miller, goleador da Copa de 74

Quatro times foram lendas nos 60 e 70: Real Madrid, do Puskas e Santos, do Pelé, nos primeiros. Nos anos 70, o Ajax de Cruyff, base da Laranja Mecânica, a seleção holandesa de 74 e o Bayern, tri campeão europeu e base da seleção alemã (Beckenbauer, Sep Mayer e Gerd Muller), que venceu a Holanda na decisão da Copa do Mundo disputada na então Alemanha Ocidental, dominaram o futebol mundial.

Mas Reche, Ibsen e David Coimbra conseguiram colocar o SCI como melhor time do mundo em 75/76…

Bekenbauer e Jairzinho, na final do mundial de clubes-76

Curiosamente, o Cruzeiro eliminou o vermelho de Porto Alegre de 76 na Libertadores e foi derrotado pelo Bayern, o vermelho de Munique, em duas partidas. O time alemão venceu por 2–0 em Munique e segurou um zero a zero no Mineirão, conquistando seu primeiro título mundial de clubes.

A imprensa vermelha isenta da Alemanha

o clube de camisetas vermelhas de Munique

O editor-chefe do blog ao longo desses 14 anos de luta de resistência contra a IVI se dedica também às pesquisas de campo sobre mídia de futebol, com ênfase em fontes históricas primárias.

RW passando pela Allianz Arena deles lá

Desta feita, a busca se tornou transatlântica e RW está na Europa para investigar in loco a possível existência de uma IVI na Baviera, que dá nome ao clube que usa camisetas vermelhas da sua capital, e sua influência sobre a Bundesliga, o “Brasileirão” da Alemanha.

Existem críticas naquele país de que, de fato, é possível se identificar um viés estrutural de cobertura, onde o Bayern recebe mais atenção por razões comerciais porque a lógica de audiência e monetização molda a pauta jornalística. Isso gera uma percepção pública de “favorecimento” ao clube, ainda que indireto.

amostra de cobertura recente da Bundesliga e da seleção alemã

É dito por lá, por exemplo, que, como o jornalismo esportivo está fortemente ligado a alcance, direitos de TV, publicidade e acesso aos clubes, se cria um “sistema” onde alguns clubes estão constantemente no centro — e nenhum deles atrai tanto interesse quanto o faz o Bayern.

Para que se possa ter uma ideia, este é um exemplo empírico da quantidade de matérias sobre clubes de futebol, no período avaliado, em dois dos principais meios que cobrem futebol na Alemanha: kicker, Bayern 35 x Dortmund 18; Sport1, Bayern 46 x Dortmund 20.

A crítica existente na Alemanha não é apenas esportiva, mas também midiática: ao tratar o domínio do Bayern como inevitável, a cobertura jornalística acaba dando ideia que “não tem pra ninguém”, o que tende a  normalizar a cor vermelha do cenário.

Há críticas sobre a cobertura desproporcional ao Bayern, o que faz com que a mídia reforce (mesmo sendo “isenta”) a hegemonia, com uma narrativa repetida de dominância, menor visibilidade de outros clubes, o que acaba por impactar a percepção de competitividade.

A imprensa alemã pode até relativizar dizendo que é “efeito de mercado” ou “dinâmica de audiência”, mas o resultado prático é o mesmo de sempre: um clube domina, a cobertura gira em torno dele e todo mundo finge que isso é “assim mesmo…”

Quando o corneteiro em viagem olha de volta para o Brasil, percebe que qualquer semelhança com a condição de Flamengo e Corinthians, no âmbito nacional, e uns e outros ao nível estadual, não é mera coincidência.

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