Corneta do RW

O bunker da IVI mergulha no ‘infotenimento’

Infotenimento é a junção de informação e entretenimento, em que conteúdos jornalísticos, educativos ou factuais são apresentados com recursos típicos do entretenimento — humor, contação de histórias, drama, cortes rápidos, trilhas sonoras, memes e estética visual.

Essa estratégia surgiu da chamada economia da atenção, já que conteúdos puramente informativos competem com Netflix, games e redes sociais e, por isso, para serem consumidos, precisam entreter. O famigerado algoritmo das plataformas também favorece vídeos que prendem a atenção por mais segundos, e o entretenimento cumpre esse papel.

os galáticos da IVI que vão para a Copa caem na dancinha pro Instagram e TikTok

Justificado por alguns como uma forma de democratização do conhecimento pela ampliação do alcance de temas importantes é indiscutível que o infotenimento fica na superficialidade e nas pegadinhas ao caçar cliques, apela para o sensacionalismo e, muitas vezes, confunde opinião com fato. Além disso, usa um humor que frequentemente esconde vieses, como, no futebol, para favorecer um clube e prejudicar outros na base da zoação.

O jornalismo esportivo é uma das áreas em que mais em mais viceja o infotenimento, pois o esporte, em especial o futebol, já carrega drama, emoção e narrativa de heróis e vilões. O jornalismo ficou limitado a apenas a providenciar a embalagem disso em formatos híbridos.

o editor-chefe do blog foi à Suiça buscar inspiração para entender a IVI em tempos de dancinhas e tretas para as redes

Programas como Globo Esporte ou Bem, Amigos! misturam análise tática com humor e emoção, enquanto canais como Desimpedidos e outros puxam mais para a zoeira, mas ainda entregam alguma informação como dados de competições e entrevistas.

Essa (con)fusão entre dados e entretenimento se manifesta em debates cheios de piadas, muitas delas infames, quadros interativos e memes, transformando a notícia em show de humor (às vezes de mal humor) e forçando a barra das “tretas” entre participantes, que geram cortes para as redes.

O precursor desse estilo na TV brasileira foi Thiago Leifert, que introduziu no Globo Esporte uma linguagem descontraída, bordões e referências à cultura pop, abrindo caminho para que o jornalismo esportivo se tornasse também entretenimento, a ponto de ter se criado um substantivo para o fenômeno midiático: a thiagoleifertização da mídia dedicada ao futebol

Em parte, no quadro descrito até aqui se encontram algumas das razões que, segundo comentários que circulam pelas redes, explicariam o corte de Zé Alberto “Ataque de Nervos” Andrade do selecionado do bunker da IVI que cobrirá a Copa do Mundo deste ano, que provocou comoção entre velhos companheiros de trabalho e ouvintes cativos dos programas da rádio do bunker.

O infotenimento está para os “cronistas esportivos” formados na segunda metade do século passado, como o grande meteoro esteve para os dinossauros, quando, há quase 70 milhões de anos, caiu perto de algumas sedes da Copa do Mundo de 2026: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.

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