
Quando inicia uma Copa do Mundo, entre outras coisas, os gremistas veteranos, entre outras coisas, relembram com respeito e orgulho Everaldo Marques da Silva.
Ao buscar referências a Everaldo, que por óbvio deveriam ser feitas a cada Copa pelos veículos de comunicação que cobrem futebol, quase não se encontram e, em seguida, quando se buscam homenagens públicas permanentes, aí mesmo é que não se acha quase nada. E vem à mente a “pergunta que não quer calar”: como assim, só isso mesmo?
Atenção: o personagem de que se está tratando é o lateral titular da Seleção tricampeã de 1970, o único gaúcho – de Porto Alegre, morador de bairro com nome do seu destino, a Glória – daquele time.
A maior homenagem foi feita pelo clube, imediatamente após seu retorno do México. Everaldo virou a estrela dourada na bandeira do Grêmio.
Parece óbvio, por outro lado, que o nome dele deveria ser relembrado com ênfase, aparecer em letreiros por todo lado, instalações esportivas, avenidas e grandes praças e, a cada Copa do Mundo, ser tema de matérias de jornais, tevês, rádios, canais de streaming e redes sociais da grande mídia.
Só que não. #SQN
Dentro das quatro linhas, Everaldo é patrimônio incontestável. A homenagem institucional é formidável e impossível de ignorar: virou símbolo oficial eterno com a famosa estrela dourada na bandeira gremista e o Pórtico dos Campeões no saudoso Estádio Olímpico.
Ou seja, na cultura do futebol, Everaldo é um marco, entre um elenco que é dos maiores de todos os tempos. Mas quando a gente pisa na rua… a história muda.
Uma Avenida Everaldo Campeão de 70 seria algo a se esperar num lugar em que o futebol tem tanta importância no dia a dia de muita gente. E o que encontra na realidade? Um mapa pulverizado.
Um levantamento pelos municípios do Rio Grande do Sul revela que ruas com o nome do grande tricampeão existem, espalhadas por aí, na capital – bairro Partenon, na região metropolitana de Porto Alegre e Caxias do Sul, onde atuou no Juventude por empréstimo, quando tinha 20 anos de idade.
Não se pode afirmar que Everaldo esteja ausente, mas a presença é tímida, no “modo avião”.

Nesses tempos de redes sociais entrelaçadas com a grande mídia ainda potente, por exemplo, curiosidades que poderiam ser mote para postagens num tempo de busca insaciável por conteúdos, sequer se dá algum destaque à coincidência de que o narrador da maior rede nacional de televisão nesta Copa de 2026, por competência e circunstância, Everaldo Marques, é homônimo do campeão de 70.
Não há uma grande praça central de Everaldo. Não há um estádio público. Não há um ginásio de esportes de grande porte.
Fica a nítida sensação de que o tricampeão que deveria ser tratado como um mito, reforçado pela tragédia precoce de ter morrido aos 30 anos em acidente de trânsito em que o veículo que conduzia foi um prêmio pelo seu maior feito no futebol, mal e mal tem sua memória cultuada por veteranos torcedores que tiveram o privilégio de vê-lo atuar em campo.

E, como conclusão, fica a grande pergunta: por que Everaldo não tem seu merecido reconhecimento na escala e intensidade que é dada a outras figuras do passado do futebol do Rio Grande do Sul, que sequer obtiveram títulos em competições nacionais, para não falar de tamanha relevância histórica como a posse definitiva da Taça Jules Rimet?
Nessa época de bolão de resultados dos jogos da Copa, o blog propõe que os corneteiros e seguidores deem seus palpites: o fato de que atua no Rio Grande do Sul, há quase noventa anos, uma imprensa vermelha isenta, a IVI, estará entre os vários fatores que devem constituir a melhor resposta para a questão? Escolha seu palpite:
[ ] a IVI non ecxiste
[ ] isto é muita doença
[ ] sim
[ ] óbvio que sim
