*da redação e central de tradutores e intérpretes do Blog Corneta do RW
No Rio de Janeiro, a leitura das manchetes do dia em frente às bancas de revista do centro da cidade é um esporte centenário. Na atualidade é mais praticado por veteranos como o Alex (pronuncia-se Aléquici, no dialeto da Cidade Maravilhosa), carioca da gema, amigo e colaborador bissexto do blog, que tem negócios no RS.
Acontece que o Aléquici chegou a Porto Alegre esta madrugada e, de manhãzinha, tentou manter a rotina que cumpre no limite de Copacabana com o Leme, onde vive, para saber as novidades do futebol local.
Não entendeu nada. Se sentiu como se estivesse lendo jornais russos escritos de trás para frente.
Acabou gastando um dinheiro que não costuma para comprar três exemplares dos diários, os quais enviou para a equipe de redação e pesquisa do blog com um curioso e sucinto pedido:
“Solicito tradução interpretativa dos trechos grifados. Saudações botafoguenses“.

Sem os óculos, teve que chegar bem perto do jornal da IVI do Centro para entender o que a foto tinha a ver com a manchete de capa. Ficou impressionado. Alex fez um cursinho de noções básicas de jornalismo no Youtube onde aprendeu que um título tem que se referir a algo que aconteceu. Jamais a um “não fato” e raramente a algum futuro-fato, isto é, alguma coisa que talvez um dia ocorra.
Pois é, as letras grandes do CP divulgaram uma “não-reunião“, isto é, uma reunião que não ocorreu, em vez de indicar o que a foto em tamanho grande, que ocupa quase meia página, retrata! Depois, espremeu os olhos e leu no cantinho superior direito que “muita coisa precisa ser mudada, não só o treinador“, mas não tem ideia onde e treinador de quem!!
Pra piorar, o título principal do diário da IVI da Ipiranga, usou o mesmíssimo recurso fora das quatro linhas dos manuais de redação: noticiou “obras urgentes que não começaram“, em vez de se referir à foto grande no centro da capa!!!

“Preteou o olho da gateada!” é uma expressão que Alex aprendeu numa das vindas ao extremo sul e gostou muito, embora, às vezes, se atrapalhe sobre quando é que pode e deve ser usada. Mas foi isso mesmo que aconteceu quando ele parou para ver as capas das duas gazetas da IVI da Ipiranga.
Conforme solicitado, enviamos a versão dos títulos e manchetes pelo zapzap para o amigo carioca sangue bom, como segue:
(i) “colorado…sozinho“: um jeito da coluna do grande nº 10 da IVI, Diogo Pipoca, negar a existência do adversário do SCI, isto é, que o Grêmio é que fez com que o time vermelho se “atrapalhasse” no grenal 439;
(ii) “supremacia azul“: licença poética do editor da coluna do bardo Marcos Bertoncelo que quer dizer “vantagem do Grêmio“;
(iii) “vencedor“: recurso estilístico do editor da coluna de Leonardo Papoula para dizer “Grêmio“, de um jeito que não dê muita bandeira
(iv) “diferença“: analogia de inspiração simultânea – quiçá via zapzap – dos editores das colunas de Pedro Legado e Justo Guerra para diminuir a relevância do coletivo do Grêmio no grenal 439 e não dizer o nome do maior jogador em atividade no RS: Luis Suárez
(v) “ganhou“: exímio uso do sujeito oculto pelo editor do título da coluna de “Lucianinho” Périco para não dizer “Grêmio venceu“
(vi) “amplia/aprofunda a crise“: um jeito torto das editorias do jornal da IVI do centro e do principal da IVI da Ipiranga declararem que o Grêmio teve uma melhora de desempenho e que o SCI segue na mesma trajetória descendente
Já recebemos a resposta agradecida do nosso “bruxo” carioca:
“Meus queridushx, estava me sentindo um analfabeto funcional em títulos e manchetes de futebol do sul!! Obrigadão! PS: espero retribuir qualquer dia com algum apoio a vocês no entendimento das coisas da Flapress“
_____________________________________________________________________________________________________________________* redação final de Aldo V., baseado em ideia original do perfil @___Leao___ no Twitter