por Claudio DusSantos*

Nas décadas mais recentes, o moderno futebol brasileiro, assim como de resto todo o futebol mundial, assimilou, isto é, somou elementos de ataque ao espaço e transição rápida ao seu já tradicional ferramental de jogo apoiado e de construção.
Tanto assim que, na atualidade, não incorporar esses elementos ao seu jogo pode não permitir progredir em competições, uma vez que muitas equipes mundo afora utilizam a forma híbrida de jogo de progressiva construção quando possível e de transição rápida quando o contexto o exige.
Se não for assim temos o futebol entretenimento, globetrotters, evento, mas não mais propriamente o esporte competitivo.
A seleção brasileira da copa de 70 e o futebol de uma forma geral até meados da década dos noventa se jogava majoritariamente no modo da construção pacientemente costurada no campo de jogo e de progressão lenta e consciente.
Hoje, a essa forma purista de encarar a construção do jogo no campo, foram somadas outras e sempre novas concepções. Trata-se de uma transformação similar àquela que se deu em outros campos da cultura no país e por todo o mundo.
Como aqueles da arte, onde um bom exemplo pode ser encontrado na música, com a paulatina agregação, às já intrincadas construções harmônicas da música moderna, de outros elementos tais como os grooves elaborados e batidas, versos rítmicos e percussivos, apropriação de elementos eletrônicos e por aí vai.
Abel Ferreira, Vojvoda, Jesus, Renato, Mano, Dorival, Ceni e outros tantos não podem ser simplesmente tachados de retranqueiros. Seus times utilizam as duas armas conforme o contexto do jogo o demanda.
Não é uma questão de maniqueísmo e de etiquetar quem pensa desse ou daquele jeito, disto ou daquilo.
O fato é que o futebol tem essas duas dimensões; a da construção progressiva no campo mediada e apoiada numa aproximação e aglutinação gradativa da equipe avançando como um todo, mas também tem momentos de aceleração rápida, transição vertical e ocupação do espaço.
No boxe seria algo similar ao período da troca paciente de jabs. Mas há também, sempre, a hora e a vez do direto certeiro.
E knockdown…

*Claudio DusSantos é um torcedor que, além de amar o futebol, gosta de pensar sobre ele. É colorado da linhagem de Sepé Tiarajú e sobrinho do atacante Jarico – Jari dos Santos, que foi titular do Cruzeiro, na primeira excursão de um clube de futebol gaúcho para a Europa.
Claudio é geógrafo formado pela UFRGS e servidor aposentado do IBGE.
Compositor reconhecido no meio da música popular gaúcha, tem canções e parcerias gravadas por Dani Rauen, Danny Calixto e Dudu Sperb, entre outros intérpretes.
Para conhecer parte da obra de Claudio, basta clicar nos links adicionados a seguir:
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FONTE das imagens: HISTORY OF SOCCER
(Tradução da linha do tempo: Aldo V.)